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“Artista Vs CQC” – Entrevista Com Sombra

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Segunda Temporada da Rubrica “Artista Vs CQC” que teve na primeira Temporada: Leonardo Shankara, Sanguinário, Kendaz, Mente Mágika, Chyrah e Straight Killa. (extra: Don.G)

Para arrancar a nova temporada, escolhemos Sombra, o Presidente do Rap da Samba como também é conhecido, que lançou recentemente o seu informal álbum “Fora dos Padrões“.

Sombra PR da Samba

01. (Cenas Que Curto) O que é para si fazer “Rap Como se Deve”???

Sombra: É fazer Rapdo jeito particular que aprendi a fazer desde conheci esse estilo musical, desde os beats Boom Bap que me caracterizam, atitude na maneira de Rappar, a capacidade de inovar sem perder a identidade, e a responsabilidade nas letras e o rítmo que são factores a nunca deixar pra trás

02. (CQC) Para ti, um rapper que não faça Rap com estas características, não faz Rap Como se deve???

Sombra: Digamos que sim! Porque das principais características que tem o Rap, é a maneira como soa o instrumental , o chamado Boom Bap Step, que teve sempre presente nas maiores musicas de Rap feitas desde a sua criação, outra grande característica num fazedor de Rap é a atitude anexada as letras (mensagens e skillz). Essas são das maiores características que um papper pode ter, logo na ausência delas num rapper, não considero o Rap a ser feito pelo mesmo como se deve.

03. (CQC) Fora dos Padrões a fazer Rap Como se Deve. Algo está um pouco estranho, não? Como explicas este teu projecto?

Sombra: O Fora dos Padrões é algo mais no campo pessoal, não tem a ver apenas com a música, mas com a minha própria maneira de ser também na vida social, por estar sempre a tentar contrariar as regras que acho sem nexo, por querer estar na contra mão do que acho errado e a maior parte do pessoal acha certo, e por não encarar como ouvinte e como músico a maneira que as pessoas encaram e expõem o que se faz cá.

Sombra - Informal Album

04. (CQC) Lançar um álbum para download gratuito tem se tornado cada vez mais comum no nosso mercado. Que motivos te levaram a faze-lo e o que aceitas como mínimo para dizer que foste bem sucedido neste trabalho?

Sombra: Um dos pontos que me levaram ao título “ Fora dos Padrões” como frisei a pouco, foi precisamente a maneira de encarar as coisas como músico e como ouvinte, que acho ter uma forma contrária a de boa parte do pessoal cá.

Uma das primeiras razões que me levaram a disponibilizar o álbum para download gratuito foi, para uma espécie de brinde (presente) ao pessoal que consome a minha música que desde a primeira vez que coloquei uma disponível para download, senti que tive mais do que eu esperava.

A internet é muito abrangente, e eu desde sempre tive muitos elogios de pessoas que tiveram acesso a minha música através da internet, mesmo estando em países muito distante do nosso, pessoas em diferentes continentes, diferentes bairros, zonas que nunca se quer coloquei os pês tiveram acesso a música e pediram sempre um projecto sólido.

Outra grande razão é que desde sempre foi como um desafio para mim colocar a dispor o meu trabalho para qualquer pessoa ter acesso, de forma livre , independentemente dos valores gastos para tal concretização.

Dizer que fui bem sucedido no trabalho é com certeza uma conclusão que farei durante os 4 primeiros meses após o lançamento, em função das solicitações de participações em concertos que me forem oferecidas, em função do nível de abrangência do álbum por pessoas a consumirem, mais do que daquele que é o ciclo que acho que toco, e claro passar por aquilo que acho que é a crítica de um bom projecto a nível Rap lançado num ano como 2014.

05. (CQC) Angola é um país aonde a Intnernet ainda não atinge nem metade da população. Não acreditas que desta forma estarás a limitar o acesso das pessoas ao teu trabalho?

Sombra: De forma nenhuma! As pessoas geralmente baixam os projectos, e partilham com os que não fazem o uso regular da internet.

Por outra, a internet tem um nível de abrangência enorme, e tem a vantagem do projecto estar sempre disponível ai até por força maior for retirado. Mas claro que o Álbum não ficará apenas pela Internet, porque tem edições em formato físico especialmente para eventos e para os que não quiserem ter apenas em formato digital.

06. (CQC) Fala-nos um pouco mais sobre o álbum…

Sombra: A nível de produção, tive o privilégio de trabalhar com pessoas amigas e que admiro muito pelo talento e gosto pelo que fazem…

Tenho produções do Levell Khróniko, que representa pra mim o Boom Bap Step em Angola ( hehehehe, sem desrespeito aos outros), e acho que o terei em todos os álbuns que for lançar. Trabalhei com o meu parceiro Haudaz, que pra mim representa a evolução, por ser alguém que vi dar os primeiros passos no que toca a produção, e hoje acompanho e usufruo dos seus trabalhos que para muitos é muito bom. Trabalhei com o Luther Py, que representa a nova escola de productores em Angola, pelo enorme talento e versatilidade que este tem, e por me surpreender com um dos beats mais pesados no álbum. Trabalhei também com Mad Skillz, que é um produtor canadense que me concedeu o beat por conexão do meu mano Guardião.

Trabalhei com o Boni a nível de captação mistura e masterização de duas músicas, por admirar muito a sua responsabilidade e paciência em relação ao trabalho. Tenho o DJ Nel Assassin nos cutz da música que dá título ao álbum, fazendo o que lhe mais é característico ( Scratchesssssss). Tem o DJ Neip que foi o responsável pela captação mistura e masterização final do álbum todo (muito respeito a esse brother).

A nível de participações, não quis muitas participações porque a ideia desde o início foi o pessoal olhar pro álbum e dizer esse é o Sombra! Uma espécie de identidade mesmo. Mas foi inevitável, porque ao longo do processo de concretização do trabalho dividi ideias, pensamentos com pessoas que acompanhavam a par e passo o processo todo, então decidi colocar essas ideias divididas com as tais pessoas por cima dos instrumentais, estou a falar mais concretamente do Haudaz, e do meu Lil bro Killer Mc (que são as participações que tenho no álbum rimando). Tive coros do Tyro e de uma mana com muito talento que por motivos contratuais não pode ser divulgado o nome sem a devida autorização (mas depois saberão de quem se trata, risos…)

Levei praticamente 5 meses para fazer o álbum todo.

07. “PR da Samba” por quê? Um exercício do Ego?

Sombra: Começou como um exercício do ego sim (risos), a primeira vez que anunciei isso foi na minha música “Consagração“, teve uma repercussão com dois lados obviamente pra mim: Gerou desentendimentos, controversas, mas por outro lado muitos gostaram da “dica” e passaram a tratar-me pelo título de PR! No final é mais um aka, mais uma designação para a minha personalidade artística

08. (CQC) Apesar de já alguns anos de estrada, tu fazes parte (ainda) da Nova Escola? Quais os principais pontos positivos e negativos que podes apontar a “tua classe”???

Sombra: Eu não me revejo na nova escola, por acaso nem na velha (lol). Porque tenho mais ou menos 12 anos de acompanhante assíduo do Hip Hop, e mais ou menos 10 como rapper. Eu poderia dizer que pertenço escola intermédia (devia existir esta classe), mas por não ter ainda 20 anos de Rap (Hip Hop) e ser “automaticamente” classificado como nova escola de acordo ao memorando publicado pela universidade Hip Hop, então vou falar daqueles que são os pontos positivos e negativos daquela que é a dita nova escola:

Pontos Negativos:

A imitação dos artistas que tocam, é algo que pessoalmente condeno! Imitação está quase sempre ligada a limitação, ou seja, ela inibe a capacidade de criação dos novos artistas, ficando esses dependentes dos artistas que tocam para fazer a sua própria arte. Portanto, sou totalmente contra a imitação.

A falta de vontade de aprender, esse é outro ponto que noto muito nos newschool rappers. Pensar que pode fazer tudo sem conhecimento e ajuda de quem já cá está a mais tempo é muito negativo, e consequentemente condiciona o bom trabalho a ser feito.

Outro ponto é a pouca capacidade de inovação. Quase todos querem fazer o que os rappers que “batem” fazem. Quase nunca se inova, por medo, por falta de interesse, e por não querer aprender ou partilhar com os outros.

Ponto Positivo:

O movimento ganhou muitos mais rappers e mais notoriedade nos últimos tempos, apesar de todos os pesares, e isso é bom.

09. (CQC) Como é fazer Rap no país do Semba? O que falta para que a nossa sociedade aceite o Rap como aceita o Semba e a Kizomba, por exemplo?

Sombra: Nada fácil, acredita (risos). Porque da quase sempre a percepção de que o pessoal não gosta de Rap , gosta é do que bate.

Quanto a sociedade aceitar como aceita a Kizomba ou o Kuduro, eu acho que deve-se muito devido ao facto de não ser um estilo pra pistas de danças.

Porque as pessoas não dispensam um bom pé de dança, ao passo que o Rap surge da fala, poesia, frases ditas, daí não ser muito badalado como os estilos anteriormente citados.

Sombra 2015

“O verdadeiro rosto do Rap nacional obviamente que por mim devia ser a beleza textual, com ritmo nas palavras e originalidade na escrita…” Sombra

10. (CQC) Na tua opinião, de que forma os Bloggers poderiam contribuir mais na divulgação do Hip Hop? Quais os aspectos mais negativos podes apontar no trabalho feito pelos Bloggers em Angola?

Sombra: Bloggers (hehehehe). Propz a todos (hehehehe), mas cá vai:

Eu acho que o principal ponto que colocaria os bBoggers em vantagem em relação às TVs e Rádios devia ser a imparcialidade. É evidente que enquanto humanos e ouvintes de Rap têm os seus favoritos, até aí tudo bem, mas não podem deixar que tal favoritismo os cegue ou mate o espírito de procura por novos valores (que valham mesmo).

Eu acho que os Bloggers deixaram um bocadinho adormecido aquele espírito de ir buscar a informação, o que é negativo.

Acho que a partir do momento em que um Blogger posta mais de duas faixas de um artista no qual convença a ele a um certo pessoal, os Bloggers deviam ficar atentos a tudo quanto é informação acerca do tal artista, desde os posts nas redes sociais, até aos eventos que se este esteja por dentro.

Porque actualmente quase tudo começa na internet, só depois vai pra rua, então os Bloggers como principais divulgadores de música actualmente deviam fazer acontecer.

Entrevistas, não só a emcees , como a B-Boys, procurar divulgar trabalhos de Deejays, GraphWriters, ou seja, tentar estimular ao máximo o pessoal fazedor e envolvido nessa cultura.

11. Qual para si devia ser o rosto do Rap Angolano?

Sombra: O verdadeiro rosto do Rap nacional obviamente que por mim devia ser a beleza textual, com ritmo nas palavras e originalidade na escrita.

Quando falo em originalidade na escrita é muito no que toca a letras que demonstrem a realidade do que se vive cá, sem ter que se promover discotecas ou marcas de roupas que é o que normalmente já se faz lá fora.

Quem é angolano e reside fora do país sente sempre a necessidade de saber como as coisas andam por aqui, não por intermédio dos midias, mas por artistas, pois o pessoal sabe que o artista tem antes de tudo um compromisso com ele mesmo de informar e depois entreter

Então, a informação nas letras é base para se construir uma letra com uma beleza textual invejável, caracterizando desse modo o rosto do Rap feito em Angola .

Últimas considerações…

Sombra: Queria apelar ao pessoal em geral, para correrem atrás da informação. Gostou de uma música de um artista não muito conhecido preocupe-se pesquisar mais sobre tal artista, vai atrás de material sobre tal artista, porque no final de tudo os maiores patrocinadores dos artistas são os ouvintes.

Apelar a nova escola a primar sempre pela inovação, não penses atingir ao topo fazendo exactamente o que outro artista faz. Tenha como referencia quem trabalha e atinge o sucesso, mas não imites, crie porque precisamos coisas novas.

Dar os parabéns a todos os Bloggers, jornalistas que ajudam. Mandar abraços a todos os produtores e rappers, e que continuemos nessa batalha de inovar, informar, educar e entreter.

Comprem/baixem o (meu álbum) Fora dos Padrões e sejam todos bem vindos à Rap Komo Se Deve

Eu sou voz da minha Zona!
Representa a tua.

Sombra

Sombra – Álbum “Fora dos Padrões
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