NJ: São de facto um dos melhores dentro do hip hop em Angola. Como é que está o grupo nos dias de hoje?
KALI: O que não nos “matou” mais fortes nos tornou, assim estamos nos dias de hoje.

NJ: Vocês marcaram uma época, revolucionando o mercado hip hop com ‘Negócio Fechado’ criando uma legião de fãs e um vasto numero de prémios e solidificaram o vosso nome com ‘Cartas na Mesa’. O que esperam atingir como artistas com este terceiro disco?
KALI: Julgamos que sempre que te apresentas em palco tens sempre de provar alguma coisa ou a ti mesmo ou a alguém e este é o primeiro objectivo provar uma vez mais que somos bons naquilo que fazemos, segundo como mensageiros juvenis queremos contribuir com a nossa parte no crescimento do nosso pais, criticando o necessário , incentivando o crescimento e aplaudindo o melhoramento com sátiras, metáforas mais tristes ou mais lúdicos e se fizermos bem esta parte o que vier dai serve como bónus e incentivo, não temos obsessão por prémios mas sim por palcos grandes, reconhecimento, aplausos e o suficiente para vivermos do nosso trabalho.

NJ: Qual o prémio de maior importância que ganharam até hoje? Porquê?
KALI: Nenhum premio é menos importante que o outro, até uma mensão honrosa ou um diploma de mérito sabe sempre bem seres reconhecido e premiado pelo teu trabalho, estamos gratos e lisonjeados por todos prémios que até hoje nos brindaram e temos em nós refundido o desejo de mais.

NJ: Assim como os outros, Mr K foi um dos artistas que ajudou o nome Kalibrados a atingir grandes níveis de expansão. A que se deveu a sua saída?
KALI: infelizmente a realidade é que a vida nem sempre permite que todos casamentos sejam eternos e os motivos podem ser todos ou nenhum, como grupo e como homens crescemos e por vezes este crescimento motiva objectivos diferentes entre colectivo e individual, ele disse-nos que não fazia mais planos de gravar com Kalibrados e que ia estudar, quanto sabemos hoje o Mister K canta um outro estilo musical e desejamos a maior sorte do mundo em todos os seus projectos.

NJ: Está difícil trabalhar sem um elemento de base?
KALI: Obviamente que não é a mesma coisa por causa do formato de gravação, palco etc, já incutidos, tivemos de ser fortes e inteligentes para contornar esta fase menos boa para nós.

NJ: A maior parte das pessoas considera-vos comerciais. Qual a vossa a visão acerca da controvérsia underground vs comercial que existe dentro do movimento hip hop. De que lado vocês se põem?
KALI: Pensamos que a maior parte das pessoas refere-se a “Main Stream” e não comerciais. Revemo-nos como artistas Main stream obviamente pela exposição mediática mas com conteúdo por vezes até a mais para ouvidos fúteis. Há uma confusão enorme nesta matéria “comércio VS underground” não existe estilo de música ou rap comercial nem estilo de música underground existe sim artistas underground´s por terem pouca exposição mediática e com formato de música diferente do padrão por vezes mais político, mais hardcore, ou mais poético se assim denominam agora no outro lado da moeda há artistas que no intuito de fama emediata e sucesso a todo custo envertem para músicas com conteúdo a desejar, com temas sonhadores e pouco reais tornando suas músicas plásticas, descartáveis e com curto tempo de vida. Nós Kalibrados somos Hip Hop’ers

NJ: ‘Hip Hop sem Kalibrados é tipo Cuba sem Fidel’. O rap sofreu alterações nestes últimos quatro anos em que estiveram fora do jogo. Acha que foi para melhor?
KALI: “3 anos sem kali o rap quase sucumbiu” penso que esta passagem na nova música dos Kalibrados intitulada TA´QUI espelha bem o que pensamos sobre a questão obviamente com excepções a esta regra.

NJ: Porquê tanto tempo de ausência no mundo da música? Não acham que um grupo do vosso ‘kalibre’ deveria lançar discos anualmente como faz grande parte dos artistas internacionais? Porquê?
KALI: Penso que não, sem comparações mas os grandes artistas ate lançam de 3 em 3 anos ou ate mais porque acreditam que é o tempo necessário para os seus álbuns serem digeridos, quanto a nós não foi isso que se passou, houveram vários factores como incompatibilidade de tempo, “feeling” de trabalho, a saída do Mister k em fim muitas coisas que nos levaram a repensar a nossa carreira e isso leva o seu tempo, mas “a pedido de varias famílias” *risos na sala* estamos de volta para repor a legalidade.

NJ: Quando pensam em regressar com o novo álbum?
KALI: Definitivamente em Agosto deste ano

NJ: O que é que esta obra irá trazer de novo ao publico angolano?
KALI: Tudo neste álbum sera novo para o publico angolano desde sonoridade (instrumentais), temática abordada tendo em conta a realidade destes tempos, o formato a 3 também, mas acima de tudo poderam contar com maturidade artística, mais experiencia e música Rap feita com alma onde demos o melhor de nos em cada tema, retratando tristezas e alegrias frustrações e celebrações ,êxito e magoas de amor.

NJ: Como é que trabalharam no desenvolvimento dos temas para este projecto?
KALI: Em quase 4 anos de ausência mediática nunca paramos de criar temas por consequência devem calcular temos muitas experiencias para por em música, fizemos do estúdio um laboratório e não tivemos medo de experimentar.

NJ: Com que participações é que vão contar?
KALI: Temos perto de 30 temas gravados e devemos ter metade no álbum vamos ver que músicas entram ou não dai ser difícil falar das participações posso adiantar para os vossos leitores que temos como destaque três belos temas com Mátias Damásio, Yuri da Cunha e Puto Português estado a negociar uma possível participação de alguém de referencia no panorama internacional.

NJ: Quem produziu e onde foi gravado?
KALI: 80 % do álbum foi produzido pelo Laton, temos produções do Mad, Kid Mau, Detergente, João Paulo Miramaica, Crapper, SP so para citar alguns.

NJ: No primeiro álbum um dos vossos hits foi a música ‘Luanda’. Hoje em dia a vossa opinião continua a mesma? O que acham que mudou?
KALI: É uma questão de dar muito pano para manga em que poderíamos fazer um entrevista só a falar disso, a mudança de mentalidade, maus hábitos não mudam tão rápido assim e penso que o maior cancro nesta nossa Luanda, agitada, com transito assustador, de muita poeira motivada pelas inúmeras obras, com preços que levam pobres a falência e onde até Chineses já nos “micham”, onde os campos desportivos viram prédios, um selva de cimento onde todos querem ser Leão mas que nós amamos mesmo assim e devemos fazer a nossa parte para espreitar algumas melhorias.

NJ: Nos últimos tempos o nível de criminalidade tem sido uma constante na nossa realidade e afectado várias figuras publicas. Já foram vitimas?
KALI: Sim, o Laton já foi vitima dos “papoites da via” reconheceram-no mas disseram que estavam em missão de serviço *risadas*

NJ: Sendo jovens influentes na nossa sociedade, qual seria o vosso contributo para solucionar esta situação?
KALI: incentivamos em nossas mensagens os jovens a mudança a procura exaustiva por novas portas de maneira que cada um faça o seu próprio destino com o suor de cada dia sem ter de roubar o alheio e ceifar a vida de alguém

NJ: Falem-nos sobre os vossos projetos solidários…
KALI: É do domínio publico que estamos ligados a um projeto solidário que é o “Sorriso de Criança” encabeçado pelo Laton que tem desenvolvido inúmeras campanhas de solidariedade com doações, concertos para os mais desfavorecidos, apoio medicamentoso, alimentos e bens de primeira necessidade.

NJ: É nítido que o hip hop em termos individuais está bastante competitivo. Acha que o grupo vai voltar a atingir o mesmo nível de sucesso obtido anteriormente?
KALI: Estamos de volta para repor a legalidade!! E sem desprimor por ninguém temos consciência do valor que temos e temos o céu como limite quando há empenho, dedicação inteligência e disciplina no nosso trabalho

NJ: O hip hop em Angola tem sofrido grandes baixas. Quais os artistas actuais que se deveriam levar mais a sério?
KALI: São muitos e a maior parte deles se fossem citados aqui teriam promoção de borla e não merecem. *risos*

NJ: Kalibrados durante a altura vigência estiveram envolvidos no meio de grandes polémicas. Vocês ainda ‘mandam no block’ dos rappers em Angola?
KALI: “Quem Manda no Block” foi uma música que fez o que tinha que fazer naquela altura, mas não passa apenas de uma música. Em que compreendo que tenha afectado muito por ter sido verdade o que retratamos no tema e como por vezes o sucesso atrai ira e inveja foi conotado como arrogância mas a verdade é que digam o que disserem posemos a fasquia muita alta, há feitos nossos que dificilmente um outro rapper fará.


NJ: Qual o proveito que tiraram dos problemas que tiveram com a Army Squad?
KALI: 50 000 USD de cachêt e amizade e respeito que hoje temos com todos elementos da Army Squad alguns deles mesmo muito bons amigos.

NJ: A música ‘Tá aqui’ pareceu-nos uma resposta aos fãs a esclarecer o porquê da vossa ausência. Conte-nos a verdadeira história que há atrás desse vídeo?
KALI: muito se falou sobre a nossa ausência, se tínhamos deixado de cantar, se o grupo ja não existia em fim, sentimos necessidade de, a nossa maneira dar uma reposta contundente a ideia do vídeo era mostar que fruto das inúmeras pessoas, amigos fãs e simpatizantes que nos abordavam na rua em relação ao nosso regresso algumas pessoas questionaram se era necessário uma manifestação para pedir o nosso regresso de ai surge a ideia da repórter tendo como fundo uma manifestão pedindo isso mesmo,depois era dar a ideia que cada elemento estava algures na sua vida privada e que estava na altura de voltar ao estúdio gravar e por do melhor que existe de bom rap nas ruas e dizer O RAP ESTA DE VOLTA, e quando voltarem a perguntar pelos Kalibrados a resposta TA`QUI.

NJ: Alguns meios de divulgação têm fechado as portas ao movimento hip hop. Acham que nesta fase poderão ter as mesmas aberturas do passado? O que pensam ser preciso mudar para que os rappers sejam levados em maior consideração?
KALI: Prefiro não acreditar que alguns meios de divulgação estejam a fechar as portas para um estilo musical porque para além de estarem a privar os fãs de consumirem as músicas e os vídeos dos seus ídolos estariam a oprimir um estilo que daria um resultado 3 vezes pior para os sus objectivos seguindo um bocado a máxima que o proibido é o mais apetecido, por outra percebemos que há determinados conteúdos de alguns rappers que vão em desacordo com estes meios mas nem todos rapper´s são assim e nem todas músicas têm este conteúdo, cria chamar a especial atenção para o facto de serem os rappers chamados muitas vezes para representar Angola principalmente em África, por ser o estilo mais divulgado em canais muito fortes no continente como Channel O, MTV Base África ou TRACE e esta resistência não ajuda em nada.

Penso que cada caso é um caso e como em toda manifestação de arte há bons e maus, há que saber separar o trigo do joio mas acima de tudo não desincentivar os artistas porque a cada artista que temos é menos um marginal ou delinquente na rua e é com base de rap e rimas que vive hoje uma das maiores marcas de Angola o Kuduro, sem falar que continua a ser o estilo musical com mensagens mais fortes e poesia muito peculiar.

Via: www.facebook.com/kalibrados


Cenas Que Curto

CEO do site CenasQueCurto.Net