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Resumo do 1º Festival Nacional de Hip Hop

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U2H

A Universidade Hip Hop cumprindo a sua agenda Kultural para o presente ano (2016) e enquadrado nas Celebrações da Semana de Apreciação à Kultura Hip Hop, realizou nos dias 20 e 21 de Maio, o 1º Festival Nacional de Hip Hop na Mediateca de Luanda com 20 horas dedicadas inteiramente a Kultural Hip Hop, distribuídas de acordo a seguinte estrutura:

Dia 20 de Maio

O evento arrancou as 8h00 com as boas vindas musicais enquanto as pessoas chegavam ao auditório da Mediateca de Luanda, momento que se estendeu até as 9h30, altura em que foi feita a apresentação oficial da Universidade Hip Hop para os presentes pelo Reitor Klaudyu Bantu, que falou sobre a data de arranque da primeira actividade, bem como a equipa responsável pelo projecto e o respectivo local de arranque (sede oficial da Organização).

Foi igualmente apresentada a missão, visão e valores da U2H (abreviatura oficial da Organização), destacaram-se as actividades de maior impacto social e Kultural (Parceria com instituições filantrópicas e a escritura conjunta do Memorando de Entendimento respectivamente).

Festival Nacional de Hip Hop (8)

Por outro lado foram apresentadas as 4 categorias de Membro (Fundadores, Directores, Colaboradores e Beneméritos), e durante a interação com a plateia foram esclarecidos os critérios para o acesso a cada um deles. Foram ainda esclarecidas as razões para a actual postura itinerante da Universidade Hip Hop tendo transformado a sua sede em um centro de estudos e de investigação.

Terminou-se então com a apresentação do Símbolo da Universidade Hip Hop e dos membros Directores do presente ano Kultural. Completa a apresentação da U2H e com a equipa de oficinas completa, foi dado o arranque das oficinas dos 4 elementos núcleo da Kultural Hip Hop obedecendo a seguinte Ordem:

Oficinas

Graffiti Art

Graffiti

Apresentado pelo Prof ZBI que começou falando sobre as questões históricas que associam o Graffiti aos Agroglifos de Kemet, passando de imediato para o cenário em que este ganha o formato actual nas décadas de 60 e 70 em New York.

Em sequência, falou ainda dos diferentes estilos (Wild Style, Bubble, Characters e outros), os termos e códigos de conduta próprios da comunidade de Writers (Hall of Fame, Toy, Bite, King, e stencil). A interação com a plateia requereu a explicação sobre a ausência de Graffitis de protestos sociais, que foi prontamente respondida com os exemplos de actividades em curso como a da BAW Crew que está com uma campanha de informação sobre a malária e ainda sobre a existência de mensagens encriptadas nos Graffitis mais populares.

Break Dance

Break Dance

Tássio e Amândio T-Locker, foram os responsáveis pela condução da oficina de Break Dance, que abriram com a explicação do surgimento do Break Beat e de como ele foi aproveitado para desenvolver uma forma de ser na vida, foram explicados os vários estilos existentes mas com uma atenção privilegiada para o Breakin, Poppin e Locking, com datas, nome dos principais percursores e características próprias de cada um dos estilos. Houve igualmente espaço para representação prática de cada um deles.

Deejayin

DJ

Dj Nkkappa, uma referência no activismo regional e membro da U2H foi a pessoa indicada para a oficina de Deejayin que começou por apresentar a história de inicio, estruturação e desenvolvimento da Kultural Hip Hop que está estritamente ligada ao elemento Deejayin, sendo que os seus principais percursores são Deejays (Dj Kool Herc “Pai”, Afrikaa Bambaataa “Padrinho”, Dj Grand Master Flash “Inventor” e Grand Wizard Theodore “Scratcher”), explicando detalhadamente o impacto da acção de cada um deles na Kultura.

DJ 2

Em sequência, apresentou a turntable como um instrumento musical (capaz de produzir um novo som reciclando outros).

Foram apresentadas com detalhes as técnicas de Turntablismo (Cut, Scratch e Mix). Para terminar foram apresentadas aulas práticas (videos) para o Scratch e o Back-to-Back.

Emeceein

MC

Para a oficina de Emeceein tivemos como oradores principais a Mamy TMS e o Wyma Nayoby que começaram por fazer uma abordagem histórica correlacionando os Griots de África, o Tosting da Jamaica e o Spoken Word dos Last poet chegando ao Melle Mel e aos Herculoids.

Seguida da caracterização da MC, olhando para os aspectos ligados ao controlo efectivo da plateia, seguindo com a abordagem sobre a questão referente às formas, métodos e ferramentas a que se recorre para a composição.

De uma forma sintetizada foi ainda apresentado o processo normal para a escrita: Identificação do tema a abordar -> Investigação em torno do tema -> Escolha da forma e método de composição e por fim a composição.

Foi de seguida abordada a questão referente a relação existente entre o Mc, o Microfone e o Palco, onde aspectos como a forma como se segura o Microfone, a distância mínima entre a boca e o microfone bem como a projeção da voz mereceram destaque.

Falou-se ainda sobre a necessidade de se saber explorar o palco, a memorização da música e da exclusão dos Playbacks da carteira de apresentação de um Emecee.

Da Bullz

A oficina de Emeceein terminou com uma homenagem ao Mestre Da Bulls, onde foi referenciado o seu domínio na escrita e da forma como alterava as métricas nos seus versos, assim como a disposição das rimas em cada linha.

Antes do intervalo (de 30 min foram) esclarecidos aspectos históricos como as primeiras mixtapes lançadas em Angola e ainda esclarecidas as premissas que devem obedecer para que sejam consideradas mixtapes, ficando no final a sugestão para os projectos que não cumprem os critérios de uma mixtape e que não possuem os ingredientes de álbum de serem chamados de “Trainning Tape“.

Reflexão

Após ao intervalo, passou-se para o terceiro momento “Fórum de Reflexão Em Torno do Hip Hop Nacional“, estruturado para uma participação inclusiva, o moderador (1000ton NKanzale) abriu a conversa com uma introdução que refletia muitas das contestações que têm sido apresentadas quer nas redes sociais ou em outros ciclos em que o tema de conversa seja Hip Hop Nacional (Exagerado “amiguismo”, bloqueios imaginários, falta de profissionalismo, exclusão geográfica, elitismo, o respeito aos old school).

Para o inicio de conversa apresentou aos presentes a seguinte questão:

1- Qual é o estado do Movimento Hip Hop Nacional?

A plateia foi bastante participativa, olhando para aspectos concretos e nem tão evasivos, reforçando questões como a falta de respeito entre os diferentes agentes (Old school/ New School, Capital/outras províncias), destacou-se ainda a inexistência de um sistema de rendimento interno que possa auto-sustentar o Movimento Hip Hop, ajudando com isto as necessidades básicas dos seus agentes, acabando com o sistema de mendigação de apoios existente actualmente.

Depois de um diagnóstico de participação conjunta, foi lançada a segunda questão:

2- Que acções de concreto devem tomar os membros do Movimento Hip Hop Nacional de forma individual/colectiva, para que o Movimento de resposta às suas necessidades e as necessidades sociais?

Para a segunda questão, a plateia manteve a postura positiva, começando por sugerir um posicionamento mais activo da Universidade Hip Hop quanto a gestão de conflitos internos do Movimento assim como o esclarecimento de aspectos que causem algum tipo de desentendimento.

Foi por outro lado solicitado ao Movimento como um todo uma maior intervenção para os problemas sociais e para tal foi indicada a título exemplar a questão da febre amarela e malária que não mereceu uma resposta conjunta de todo movimento.

Foram de igual modo sugeridas as participação de todos em todos eventos de todos os elementos que foi complementada com uma chamada de atenção dos B-Boys e GraffWriters para que os organizadores de eventos não publicitarem erradamente Show de Hip-Hop quando na verdade só se faz presente o elemento Emeceein.

Entre as várias contribuições, falou-se da gestão de beefs e surgiu a diversidade de opiniões sobre o carácter prejudicial ou não para o Movimento Nacional, que apesar dos diferentes pontos de vista conclui-se não ser prioritário, considerando a pronta resposta que a sociedade precisa para algumas questões mais emergentes.

Para fechar este bloco foram reforçadas a necessidade de uma co-participação de todos nas actividades de todos, e ficaram no ar algumas questões para auto-reflexão:

Reflexão 2

 

Com estes pontos deu-se por encerrado o Fórum de reflexão.

O último bloco para o dia 20 de de Maio, foi reservado aos códigos de conduta da Kultura Hip Hop, onde o orador fez a apresentação da Declaração de Paz e do Memorando de Entendimento do Hip Hop em Angola, com detalhes sobre as datas das suas escrituras, as pessoas e Organizações envolvidas bem como o número de pontos (princípios) constantes em cada um dos documentos.

Para terminar foi lido o Nono principio da Declaração de Paz e os pontos 3, 4 e 8 do Memorando de Entendimento.

Foi de seguida dado por encerrado o 1º dia do Festival Nacional de Hip Hop com compromisso de estarmos juntos no dia seguinte no mesmo local.

Dia 21 de Maio

O dia 21 foi reservado para as performances dos 4 elementos Núcleo da Kultura Hip Hop: Deejayin, Graffiti Art, Break Dance e Emeceein.

Festival Nacional de Hip Hop (18)

O evento arrancou pontualmente as 8h00, altura em que os Graffwriters estavam a idealizar e estruturar a interação para o Ngola Graffiti INVENCIBLE Jam (Encontro de Writers), fizeram-se presente representantes da BAW Crew, dos 300 Crew e da Mug Crew para a pintura, mas também compareceram ao local membros de outros Crews como a Imortal Crew e Writers Freelancers como o ArtMore.

Festival Nacional de Hip Hop (7)

As 9h00 os Deejays (Nkkappa e Mamem) já tinham as condições criadas para receber o pessoal no auditório da Mediateca de Luanda (Arsenal Montado), e foram dando as boas vindas ao pessoal mais pontual com os 2 Deejayis a tocarem em simultâneo (2 pares de turntable). Contagiados pelo ritmo, 3 Mc’s com sangue de gladiadores começaram por aquecer os Microfones, que no improviso foram dando as boas vindas ao pessoal, gerando ao longo do Freestyle um bom momento de batalha entre 2 deles.

A seguir a sessão de Freestyles que durou cerca de de 30 minutos, os Deejays deram sequência desta vez já com o Deejay Ritchelly completando assim uma sessão de 3 Deejays com uma sincronia admirável onde cada um era responsável por misturar uma música lançada pelo outro, enquanto o terceiro era responsável pelo Scracth e Cuts. Durante o momento, foram exibidas algumas técnicas de turtumblismo com realce para o Back-to-Back, técnica que caracteriza a extensão do Break Break e consequentemente o nascimento da música Rap e dos B-Boys e B-Girls.

Festival Nacional de Hip Hop (3)

40 minutos depois foi a vez de serem chamados os Dancers (B-Boys, Poppers, Lockers e Krumpers) para a primeira sessão de Break Dance, onde foram representados 4 estilos de Dança associados ao Hip Hop, por Dancers que têm participado das Cyphers e concursos realizados nos últimos tempos (Biló Baila, Luanda Break Beat Session, Dance Machine Battle e Breakin Confronto de Rua).

Nesta altura, na parte externa do Auditório (Jardim da Mediateca), os Writers já haviam repartido por 4 os 80 metros quadrados (Painel do Ngola Graffiti INVENCIBLE Jam) e resolveram aplicar duas técnicas de Graffiti referenciadas na Oficina de Graffiti que aconteceu no dia 20 (Wild Style e Character).

Festival Nacional de Hip Hop (2)

No interior do Auditório terminada a primeira Cypher de Break Dance foi então anunciado o 1.° Bloco de Emecees, caracterizado pela diversidade regional onde tivemos a representar Mc’s provenientes de diferentes pontos do País, com conteúdos diversificados, beats variados, flows alternados, tudo a muito bom nível, mesmo ao estilo de um Festival.

Assim que encerrou o primeiro Bloco de Emecees os Deejays voltaram a entrar em acção com o mesmo formato (3 Deejays, 3 Misturas 3 Host’s e diferentes técnicas de Turntumblismo), neste bloco importa realçar a interação entre os Deejays e a plateia que conhecia as várias músicas que foram passadas, desde Dr. Dre, Mck, Phay Grande o Poeta, Krs One, uma Homenagem ao Dabulls e várias outras músicas que se enquadravam perfeitamente ao estado de espírito que se partilhava na Sala.

Festival Nacional de Hip Hop (6)

Ao terminar o bloco de Deejays, surgiu um elemento não previsto (BeatBoxin) com o B-Dog que mostrou aos presentes que ainda se tem praticado a produção de instrumentais com a caixa, aplaudido por todos misturando com a caixa entre Beats, scratchs, o Cut com o nome da Universidade Hip Hop.

A sua saída, deu lugar à mais um Bloco de Break Dance, desta vez caracterizada pela diversidade no género pois vimos representar a Hellie Groove (Popper) e a Lil Groove (B-Girl) que sem qualquer desprimor representaram muito bem cada uma o seu estilo, acompanhadas pelos outros Dançarinos que obedecendo as regras comuns de uma Cypher, entraram apresentavam-se e representavam.

Ao último Bloco de Emecees, é obrigatório destacar a diversidade demográfica (idade e género), pois tivemos a representação histórica do Loro G (um rapaz de 10 anos) que rapou por cima do Beat do Xzbit a música de sua autoria “Eu estarei aqui” com a segurança de um Mc em ascensão.

Por outro lado tivemos a representação de Mondlane (com mais de 40 anos de idade e que faz parte da segunda geração dos agentes da Kultura Hip Hop em Angola). Passaram igualmente pelo palco as senhoras do projecto Rapvolução que apresentaram em estreia a música Remix do “Eu amo o Rap“.

Com uma miscelânea de gerações, e características, os Mcs encerraram as performances no interior do auditório.

Em sequência, realizaram-se na parte externa (Pátio da mediateca) Cypher de Break Dance e de Freestyles com uma participação inclusiva.

Festival Nacional de Hip Hop (20)

Os Writers terminaram uma autêntica obra de arte de 80 metros quadrados onde estavam representados: Dj Kool Herc (Pai da Kultura Hip Hop), a marca de um King (Spent) e a mistura entre o Character e o Wild Style representando a degradação humana pelo consumo exagerado do cigarro.

Desta forma foi dado por encerrado o Festival de Hip Hop Nacional.

A Universidade Hip Hop agradece a todos que participaram quer representando algum elemento, comparecendo ou acompanhando via redes sociais.

Relembrando que a responsabilidade da Manutenção do Hip Hop Nacional é conjunta. (Todos juntos somos mais fortes)

Universidade Hip Hop… Conhecimento é Poder!

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